sábado, 6 de fevereiro de 2010

Para Acabar Com Preconceitos


A Europa nunca foi um lugar onde os treinadores brasileiros foram suficientemente vitoriosos ao assumir grandes clubes, dos cinco últimos treinadores da seleção brasileira, por exemplo, três se aventuraram em potências européias sem sucesso. Eram treinadores badalados e, nos casos de Luis Felipe Scolari e Carlos Alberto Parreira, campeões mundiais com a canarinha.

Na Itália, porém, um fenômeno contrário está acontecendo. O brasileiro Leonardo, depois de um início de trabalho conturbado, vem sendo apontado como um dos responsáveis pelo bom futebol apresentado pelo Milan e, talvez, o maior responsável pela volta das boas atuações de Ronaldinho a serviço da equipe russonera.

É notável, porém, a extrema diferença entre Leonardo e os outros treinadores brasileiro que assumiram clubes Europa afora. Ele tem em si, além de um espírito criativo que é inerente ao povo brasileiro, uma cultura tática e, principalmente, pessoal tipicamente européia.

Comparando-o com um outro treinador que assumiu um dos gigantes Europeus (talvez o maior de todos eles) a afirmação acima fica indubitável. Vanderley Luxemburgo, quando assumiu o Real Madri, não soube se encaixar ao estilo de vida Espanhol, não teve leitura suficientemente boa para perceber as armadilhas que a imprensa de lá iam colocando ao longo do seu caminho como treinador merengue. O resultado foi a ridicularização de seu trabalho e de sua famigerada “filosofia”. Também pudera, ele não dominava nem a língua nem a cultura Espanhola. A demissão era algo inevitável.

Mais recentemente Felipão sofreu de problemas semelhantes à frente do Chelsea, da Inglaterra. O fato de não dominar nem a língua, nem a cultura inglesa o fez cometer erros tanto com a imprensa quanto com o seu grupo de atletas que fizeram, por sua vez, uma competente fritura do campeão mundial de 2002.

Já Leonardo é, praticamente, um deles. Viveu na Europa por mais de dez anos de sua vida, conhece as nuâncias do trabalho na Itália, conhece sua imprensa, seu povo, enfim, sua cultura. Caso não fosse assim, Silvio Berlusconi não teria o indicado para ser, em sua estréia como treinador, comandante de um clube do porte do Milan, o maior campeão europeu da Itália e o segundo maior da Europa.

Não é, entretanto, apenas o fato de ser um cidadão europeu que faz um treinador ultrapassar as turbulências de se dirigir um gigante em má-fase. Taticamente e disciplinarmente Leonardo mostra uma competência, até certo ponto, surpreendente.

Se na parte tática os reposicionamentos de Ronaldinho e Alexandre Pato, juntamente com uma reconfiguração do sistema defensivo (que tornou viável a forma ofensiva de jogar, dando segurança à equipe) foram trunfos do brasileiro, na parte disciplinar ele foi capaz de administrar egos do porte de um Gennaro Gattuso, Andrea Pirlo, Ronaldinho e Cia. Isso foi importantíssimo num momento de crise onde era muito mais fácil livra-se da culpa despejando-a em cima do treinador do que assumi-la coletivamente e trabalhar em conjunto para a correção dos erros cometidos.

Hoje em dia o Milan demonstra um futebol que, se não é de encher os olhos (o que é cobrar demais de uma equipe da Itália), exibe uma beleza à italiana com requintes de futebol brasileiro. O futebol de Ronaldinho vem, gradativamente, voltando a um nível aceitável para o craque que ele é, e o de Alexandre Pato, cada vez mais, amadurecendo. Marco Borriello surgindo como uma boa opção de ataque e o meio-campo, junto com a defesa, evoluindo com o passar das atuações.

Hoje Leonardo vem provando que os treinadores brasileiros podem fazer grandes trabalhos em terras européias.

E que a moda pegue!


È Detto!!!

domingo, 31 de janeiro de 2010

Futebol e Música: Zagueiro



Arrepia, zagueiro... Zagueiro!
Limpa a área, zagueiro... Zagueiro!
Sai jogando, zagueiro... Zagueiro!

Ele é um zagueiro
É o anjo da guarda da defesa
Mas para ser um bom zagueiro
Não pode ser muito sentimental
Tem que ser sutil e elegante
Ter sangue frio, Acreditar em si e ser leal

Zagueiro tem que ser malandro
Quando tiver perigo com a bola no chão
Pensar rápido e rasteiro
Ou sai jogando ou joga bola pro mato
Pois o jogo é de campeonato

Tem que ser ciumento
E ganhar todas as divididas
E não deixar sobras pra ninguém
Tem que ser o rei e o dono da área
Nessa guerra maravilhosa de 90 minutos

De 90 minutos!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Ressurreição?

E por falar em retorno...


Ele foi o jogador mais espetacular que já vi de perto. Foi, inclusive, o melhor o que vi de longe também! Ronaldinho é um desses jogadores que já estão na galeria dos grandes craques da história do futebol. A queda drástica de seu rendimento retirou a alegria de muitos torcedores mundo afora e abriu espaço para duras, porém justas, críticas. A recente melhora de seu futebol, entretanto, tem levado torcedores ao delírio com a simples esperança de ver a magia de seus tempos de Barcelona encantar os gramados mundo afora.

Mas, até onde irá a evolução do gaúcho? Terá ele capacidade de ser um jogador-chave para o Milan durante toda a temporada? Será ele capaz de ser uma referência para a seleção brasileira na disputa da Copa do Mundo da África do Sul?

Sua evolução é notória, mas, ao meu ver, as pressões pró-convocação são extremamente precipitadas. Ronaldinho só deve ser convocado se tiver condições de, não só ser titular, mas de ser o principal jogador na campanha brasileira rumo ao hexa... o que ainda não é o caso.

No Milan, ele não tem concorrência. A equipe espera por ele, varia o nível de suas atuações junto com ele e tem nele a principal referência no setor ofensivo A seleção nem pode, nem deve esperar. Ela já possui uma base definida, uma forma de jogar sem Ronaldinho que já se mostrou extremamente competitiva, ou melhor, vencedora.

Existe, além do mais, um outro ponto a ser ponderado sobre a evolução desse atleta: ele é um jogador de capacidade e repertório de jogadas tão espetacular que qualquer lampejo de sua genialidade é suficiente para encantar, ao ponto de iludir, até o mais atento dos analistas do esporte bretão. 60% de sua capacidade já o torna um jogador acima da média, mas só após a verificação da regularidade de suas boas atuações poderemos afirmar, com certeza, se ele realmente está de volta, ou não.

Não há dúvidas de que o mundo torce pela recuperação total de Ronaldinho, principalmente num ano de Copa e tendo a lembrança de um mundial de tão baixo nível como foi o da Alemanha. Ronaldinho voltando ao auge e com o foco em redimir-se diante do povo brasileiro pela decepção que foi na Copa passada, será, juntamente com Messi, Ibrahimovic, Cristiano Ronaldo e seu companheiro de seleção, Kaká, uma das grandes atrações do mundial que estar por vir!

O futebol agradece!

È Detto!!!

O Retorno!



No ano de 2006, após a Copa do Mundo da Alemanha, decidi começar a externar na grande rede minhas opiniões em relação aos esportes acerca dos quais não me considerava tão ignorante assim. Nasceu então o “Blog do Guma”, onde escrevi sobre esportes como o automobilismo, tênis e, principalmente, o futebol.

O fato de ter sido um ano de Copa do Mundo com toda a certeza ajudou a predominância futebolística nas temáticas deste blog, porém, a minha paixão pelo esporte e a pretensão de que tenho pontos de vista um pouco mais abrangentes do que a média dos comentaristas brasileiros me fizeram, com o tempo, monopolizar a temática de meus textos. O futebol tornou-se o único assunto e a semente do “Bola Pensante” começou a germinar.

Foram dois anos e meio desde o primeiro artigo até a formulação do BP, nesse tempo, alguns artigos foram publicados em sites especializados, tive a chance de conhecer o futebol de uma forma mais próxima e efetiva, além de ocorrer um amadurecimento enquanto jornalista (sem diploma, lei é lei!) de minha parte.

O início do “Bola pensante” foi marcado pela publicação de alguns textos antigos, intercalados com escritos novos. Infelizmente, fatos lamentáveis ocorreram em minha vida e escrever sobre futebol tornou-se cada vez mais raro até que no dia 13 de maio de 2009 escrevi aquela que seria minha última colaboração ao arquivo BP.

Chegamos a 2010, um ano de Copa do Mundo, o maior evento da terra. Creio que isso seja um bom motivo para voltar a escrever sobre o esporte mais popular do mundo, e é isso que vai acontecer a partir de agora.

Pelas duas mulheres da minha vida, por mim e por você, leitor, que merece ler o melhor que o jornalismo esportivo tem a oferecer em matéria de opinião.

É isso aí... A modéstia desceu pelo ralo.

O Bola Pensante está de volta!!!

È Detto!!!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Nem foi sonho, nem acabou!


Em especial para Ariano Suassuna e Raphael "Alma"

Alegria na tristeza, isso é possível? Seria possível um ser chorar de alegria e orgulho ao presenciar o fim de um sonho? Seria possível presenciar a derrota e falar pra si mesmo: “foi bom mesmo assim”? Esse é o valor que apenas as grandes almas possuem. O sonho não acabou, foi apenas adiado.

O que foi o Sport nessa Libertadores? Um azarão? Um intruso? Um fenômeno? O Sport foi Brasil, foi Nordeste, foi Pernambuco contra a América, contra o Brasil, contra o Nordeste e contra Pernambuco. A inveja das outras cores pernambucanas, o pouco caso das restantes cores nordestinas, o corporativismo das demais cores, empresas e instituições da Regiões Sul e Sudeste e, claro, a competição em si, das rivalidades, a única realmente justa.

As cores rubro-negras pintaram a América, fizeram suas vítimas em solo estrangeiro, provaram que neste sub-país chamado Nordeste, tão esquecido pelos demais, habitam seres que têm em sua garra, em sua raça, em sua capacidade de erguer, de muito pouco, o melhor que o Brasil têm para oferecer o seu tesouro. E este sub-país tem uma capital, Recife, e um grande herói, o Sport.

No final das contas, o Sport lutou contra tudo e contra todos, com um brio que me orgulha, que me faz ter prazer em dizer, sou de pernambuco, estado onde nasceu o Sport Clube do Recife. Eu, João Paulo Pontes, tricolor doente!

Parabéns, torcida rubro-negra! Um dia repetiremos vossos feitos incontestavelmente gloriosos!

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Brasileiraço!


Enfim, inicia-se o Campeonato Brasileiro de 2009, aquele que promete ser o melhor da história dos pontos corridos, com o repatriamento de grandes jogadores e o surgimento de outros, um campeonato que promete ser tão ou mais equilibrado quanto o do ano passado, com equipes que deverão brigar a te a última rodada pelo título nacional.

Cruzeiro, Palmeiras, Fluminense, Internacional, Grêmio, Corinthians, São Paulo e Flamengo. Esses são os clubes que deverão lutar, efetivamente, pelo título brasileiro. Um favorito? Internacional. A equipe que joga o futebol mais eficiente da América do Sul neste momento, defesa sólida, ataque avassalador, uma filosofia coletiva quase perfeita com talentos individuais fora dos padrões brasileiros. É uma pena não estar na Libertadores, seria, de longe, a equipe favorita ao título continental.

Santos, Sport e Coritiba poderão correr por fora, mas dificilmente conseguirão o título. Os três têm ótimos times, padrões de jogo bem definidos, mas a falta de um banco de reserva à altura, não os credita ao título. Uma vaga na libertadores poderá ser ocupada por um desses três clubes, mas será pouco provável.

Rebaixamento? Em 2009 a briga para não cair será tão intensa quanto para ser campeão. Aposto minhas fichas que, pelo menos, um gigante do futebol brasileiro irá disputar a Série B de 2010. Dificilmente dois dos promovidos no ano passado não cairão neste ano, por dois motivos: o primeiro, é que Barueri, Santo André e Avaí não fazem parte do cartel do Clube dos 13, o que significa receitas infinitamente menores do que o restante dos clubes (dentre os outros participantes, apenas o Náutico também não faz parte), o segundo é que o nível deste brasileirão será muito alto, e o nível de competição castigará aquelas equipes que não tenham um plantel equilibrado, com reservas à altura, e isso só se consegue mantendo uma base, o que não foi feito nessas três equipes.

Mas venhamos e convenhamos, sabemos muito bem que o brasileirão só mostra quem é quem após o fechamento da janela de transferências européias, quando alguns jogadores voltam de empréstimo aos seus clubes e outros são contratados pelos clubes do velho continente. Internacional, São Paulo, Cruzeiro e Fluminense deverão ser os clubes com maiores perdas durante este período. Se contratarem à altura, estarão de volta à briga, caso contrário, brigarão, no máximo, por uma vaga na Libertadores.

Sendo objetivo: meu palpite é Inter, São Paulo, Corinthians e Flamengo, na ponta, respectivamente e Atlético Mineiro, Goiás, Barueri e Santo André como os prováveis rebaixados.

A única certeza é que esse Brasileirão será um Brasileiraço! (Salvem os pontos corridos!!!)

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Era pra ser assim!


Sempre que me perguntarem se, em relação à postura tática de uma equipe, sou ofensivista ou defensivista, direi: sou "equilibrista"! Mas se me perguntarem o que é mais importante no futebol, se é um bom ataque ou uma boa defesa, sem dúvida optarei pela boa defesa. Ela é a base para qualquer equipe competitiva.

Acho que já cansei de falar sobre isso, sobre a maior importância de uma boa defesa do que de um bom ataque, que o ideal é o equilíbrio, enfim, sequer falo algo novo em relação ao futebol, muito menos em relação à vida, quero falar apenas do jogo que assisti hoje (Chelsea x Barcelona) e o jogo que espero assistir no próximo dia 27 de Maio (Barcelona x Manchester), em Roma.

Viu-se no jogo de hoje, de um lado, uma equipe com uma ótima defesa e um ataque razoavelmente bom, o Chelsea, e de outro, uma equipe com um sistema defensivo razoável, porém com um ótimo sistema ofensivo. Um típico confronto “Ataque x Defesa”.

Se alguém me perguntasse se, apenas aliando os jogadores ofensivos de uma das equipes com os defensivos da outra, faria-se uma equipe imbatível, com o equilíbrio calcado na excelência, eu diria que não. Não seria uma questão apenas de peças, e sim de postura tática da equipe, e não se confunda sistema tático com postura tática. Sistemas são os números separados por traços, postura é o que é feito dentro do campo, é o que faz até um sistema com cinco zagueiros ser ofensivo.

A partida parecia um jogo de xadrez, estudada a cada minuto, o Barcelona executava a sua vocação ofensiva e o Chelsea esbanjava a sua vocação defensiva, porém ambos não davam vacilos em suas defesas e ataques, respectivamente. O gol de Essien, um dos mais belos que vi em minha vida, foi um achado. Uma faísca poética futebolística. Uma genialidade agregada à sorte. Um dos raros gols que não pode ser considerado falha de um sistema defensivo.

Após esse momento, só se viu Barça atacando e o Chelsea defendendo e contra-atacando. Expulsão injusta, penalty não dado, enfim, todos os temperos de uma grande partida estiveram em Stamford Bridge. Não poderia faltar o famigerado gol da classificação no último minuto. Seria uma injustiça dos deuses do futebol que tanto favorecem o “não” futebolístico se o Barcelona não fosse à final dessa Liga dos Campeões. O gol de Iniesta estava programado por Exú.

Porém, em Roma, o Barcelona enfrentará uma equipe quase perfeita, com um ataque e uma defesa excelentes, para mim, o favorito ao título. Bem que a minha Roma poderia fazer essa final em casa, o único problema é que ela tem tanto um ataque obsoleto quanto uma defesa fraca.

Mas isso é uma outra história!!!

È Detto!!!


GOLS DA PARTIDA:

terça-feira, 5 de maio de 2009

Agenda "Bola Pensante"

Venho através dessas mal traçadas linhas dizer que o Bola Pensante agora vai seguir um calendário: Todas as Quartas e Domingos, postarei algum artigo, por menor ou pior que seja.

Óbviamente que poderei escrever em dias que não sejam os citados acima.

Vale a pena conferir!



VISITE TAMBÉM O GUMA BLOG SPORTS, ATUALIZADO DIÁRIAMENTE COM COMENTÁRIOS SÓRDIDOS SOBRE O QUE ACONTECE NO MUNDO DO ESPORTE.

O que seria da conquista sem a tragédia do outro? Teria o homem prazer de ser o vencedor sem que alguém fosse o derrotado? Sem que, sempre ao cruzar com aquele que perdeu a batalha, não surgisse aquele sentimento de superioridade indiscutível, calcado em fatos?

No último final de semana, pela maioria dos estaduais Brasil afora, campeões foram definidos, holofotes foram direcionados aos que conquistaram os títulos e o ostracismo instantâneo caiu sobre os vice-campeões, grandes guerreiros que, por talvez um pequeno detalhe, despencaram da possibilidade da glória ao limbo do esquecimento. Talvez por erros de arbitragem, talvez por má sorte, mas como dizia Epicteto, “Quando alguém tem azar, lembra-te que esse azar provém dele: afinal Deus criou todos os homens para a felicidade e para a paz.”

Mas será que há paz para um vice-campeão? E para um bi vice, um tri, então?

Para mim, a diferença entre um campeão e um vice se encaixa bem nas palavras de Alain, quando ele fala sobre a felicidade, dizendo que “A felicidade não é algo que se persegue, mas algo que se tem. Não existindo essa posse, é apenas uma palavra.” O vice é aquele que quase sentiu o gosto do título, o que os coloca com um sentimento de frustração bem maior do que aquele que ficou numa posição intermediária.

Eu sei, podem dizer que o vice fez um ótimo trabalho, foi um ótimo adversário, valorizou o título. Para o torcedor, isso não existe. Enquanto o campeão é o que ri por último e o que ri melhor, o vice é o que chora por último e, quem sabe, o choro mais doloroso: o choro do quase.

Salvem os campeões.

domingo, 26 de abril de 2009

Triste Partida

Esta é uma pequena homenagem ao companheiro de Futebol e Poesia, Andreson Falcão!


Um coração apaixonado parou de bater, talvez por ter batido demais, há aqueles que morrem de tanto viverem, de tanto amarem, de tanto se apaixonarem pelo que fazem, por esses as pessoas se apaixonam, pelo que são! Andreson Falcão era um apaixonado, reservado, inquieto em sua tranquilidade.

Assim como um falcão, tinha uma visão privilegiada das ações dentro do gramado, tinha uma visão clinica para os detalhes de uma partida de futebol, uma calma na hora de analisar o que havia de melhor ou pior em cada jogador, em cada equipe, em cada partida.

Lembranças? Lembro-me da simpatia, lembro-me da competência, lembro de que quando eu falava o nome Andreson Falcão, os elogios vinham como uma enxurrada... Lembro-me do grande companheiro de debates e opiniões inovadoras e sensatas... Um verdadeiro comentarista no mundo dos "clowns"...

A partida deste campeonato que é a vida física se encerrou, diferentemente dos campeonatos de futebol, esse nunca tem hora pra terminar, alguns se vão tarde e outros, quase sempre os melhores, cedo demais... Talvez por serem tão bons que não haveria momento adequado para irem, cem anos seria cedo demais.

Eu sei que você vai em paz, mas que não vai descansar... Vai procurar uma emissora cósmica no plano maior e montar uma equipe para cobrir os jogos onde craques como Puskas, Garrincha e Denner darão seus shows... Descansar nunca foi mesmo a sua!

Te invejo, pois agora estais a ver os jogos do anglo mais privilegiado que existe... Assim como um Falcão!

Vai... Um dia voltaremos a nos encontrar!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Gol!


Acontece, apenas acontece, nem sempre acontece...


Gozo, ápice do prazer futebolístico, espera das massas, a tristeza na outra dimensão, no outro pólo da existência futebolística passiva/ativa. Torcida concretizada, amansada com o fulgor, idolatria a rainha que é agredida com chutes, socos e pontapés e que adora isso, não vive sem isso.

O escarro do goleiro batido, o vôo do goleiro favorecido, o carnaval instantâneo, nem a quarta-feira de cinzas é completamente triste, sempre há o outro lado, a outra dimensão, o outro pólo da existência futebolística passiva/ativa. Gol é amor, Gol é ódio, Gol é certidão de nascimento, atestado de óbito, perda de virgindade.

Um Gol existe antes mesmo de se concretizar, existe no mundo das idéias, todos, absolutamente todos os seres humanos já fizeram o seu Gol, metafísico e, invariavelmente, numa final de campeonato, o Gol decisivo. Nada mais emocionante, nada mais indiscutivelmente enlouquecedor, nada mais atestadamente viciante.

Nada mais existe durante um Gol, nem o banho de cerveja, nem o fedor do torcedor suado que te abraça como se fosse alguém intimo (e na verdade ele já o é) nem mesmo o bandeirinha que levanta seu instrumento querendo acabar com a alegria... perdão, ele existe, ele faz com que os segundos de alegria virem xingamentos, explosões de ódio e sentimento de injustiça...

Mas o que caracteriza um gol? E o que o descaracteriza como uma explosão de raiva, alegria paixão e ódio? Sera Ele um estupro ontológico? Uma oração macabra? Algo que acreditamos ser verdade sabendo que esta mentindo? Algo perdido entre a imensidão e a eternidade? Afinal, o que caralhos e um Gol?

Podem me dizer:

(gol (ô) sm (ingl goal) Esp 1 Ponto ou tento, no futebol, pela transposição da bola nas balizas do adversário.)

Mas só sei que Ele acontece, apenas acontece, nem sempre acontece.

Me lembra Deus.


È Detto!!!