quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Uma "Vitória" Giallorossa!

O derby disputado no último Domingo (11/Jan), entre Roma e Milan, no Estádio Olímpico de Roma, deu uma boa demonstração do peso que um bom sistema tático pode exercer sobre, senão o resultado final, a impressão deixada por uma equipe em uma certa partida.

A Roma tem, hoje em dia, um elenco despedaçado. Suas principais peças foram negociadas. Sem Giuly e Mancini, que davam velocidade e mobilidade ao meio-campo, a estratégia adotada por Luciano Spaletti não tem a mesma eficácia e as contratações de Mènez e Júlio Baptista não repuseram a eficácia e letalidade que possuia o contra-ataque romano. Cicinho vem alternando boas e más atuações e vem sido preterido na lateral-direita, que tem como dono da posição o regular Casseti.

Efetivamente, a única contratação que realmente adicionou alguma qualidade na equipe foi a do noruegês Riise, que deu à lateral-esquerda Giallorossa um novo fôlego, tanto no âmbito ofensivo quanto no defensivo. Isso, junto com o retorno de Francesco Totti, (que vem sofrendo seguidas lesões e tem aparecido apenas exporáticamente na equipe) faz da equipe da Roma um time apenas razoável.

É bem óbvio, pelo menos para mim, que também falta na equipe um volante com características de marcação mais forte e roubadas de bola. Considero Danielle De Rossi, principal destaque do time nesta temporada, o melhor volante do mundo, mas, suas pricipais características são a perfeita noção de cobertura e a facilidade de sair com a bola dominada e armar jogadas.

Já a equipe do Milan tem um dos melhores plantéis do mundo e conta com alguns jogadores importantes lesionados, como Nesta e Gattuso, mas, a falta de reservas à altura compromete o sistema defensivo Russonero. A atual forma de jogar da equipe ambém dificulta o trabalho dos seus zagueiros. Por ter tantas peças ofensivas de peso (mesmo com a saída de Ronado), o Milan acaba tendo a obrigação de se jogar ao ataque e o adversário acaba por utilizar o contra-ataque utilizando jogadores que, se não são velocistas, são mais rápidos do que a envelhecida zaga milanêsa (média de idade: 35 anos).

A falta de um lateral-esquerdo mais completo e agudo de um zagueiro com mais vigor físico e de um volante mais pegador, para fazer sombra e substituir Gennaro Gattuso, quando preciso, tira da equipe Russonera a possibilidade de lutar pelo Calcio desta temporada, visto que os principais concorrentes, Juventus e Inter, têm equipes mais equilibradas, a Inter principalmente, pois têm o plantel mais cheio de opções do futebol mundial.

Na partida de Domingo, o Milan atacou e a Roma defendeu-se e contra-atacou. Poderia ser esse o resumo do jogo, se não fossem as nuâncias que fazem do futebol um esporte tão especial, principalmente se tratando de clássicos.

Apesar de toda a pressão do Milan, o primeiro tempo acabou com um placar favorável à Roma pelo oportunismo de Vucinic, mas também pela falta de mobilidade e objetividade das peças ofensivas Russoneras. No segundo tempo veio à tona aquilo que é mais importante do qualquer sistema tático: o talento somado ao objetivismo. Alexandre Pato, em menos de dez minutos, virou o jogo para o Milan. No primeiro gol, oportunismo ao escorar um cruzamento de Kaká, no segundo, o suprassumo do que é o futebol vencedor, uma vitória física, ao ganhar na corrida para o francês Mexès e, logo após, uma vitória técnica, ao encobrir, usando a perna esquerda, o goleiro Doni... um golaço!

Mesmo sendo um romanista quase que irracional, juro que sequer me lamentei ao ver este gol, e, se eu estivesse no estádio, até aplaudiria. A verdade é que, apesar da pouca idade, Pato já se mostra como um atacante completo, extremamente veloz, ótimo cabeceio, deveras habilidoso, bate tanto com o pé direito quanto com o pé esquerdo, se posiciona magistralmente e tem uma personalidade rara para alguém com a sua idade e, o mais importante de tudo, é um predestinado., em todas as estreias de sua vida marcou gols, sem duvida e um atacante ajudado pela sorte. Enfim, deixou de ser promessa, colocou Shevchenko e Inzaghi no banco e ofuscou a estréia de David Beckham, deixou de ser uma promessa para se firmar como principal atacante de um dos gigantes da Europa, resta firmar-se como titular da Seleção Brasileira. Deve-se ter paciência com o garoto e priorizar os atacantes que têm dado certo na Selação, como Luís Fabiano. Mas não é do Brasil que estamos falando, voltemos ao assunto principal.

O segundo gol de Pato, sem dúvida, abateu a Roma. Por um simples motivo: o que uma equipe que entra com uma proposta defensiva contra uma outra técnicamente superior num contexto de desvantágem no placar? Coube ao time de Spaletti avançar, tentar, apostar em suas peças ofensivas. De forma impressionante, deu certo! Um premio à Vucinic, atacante que é, hoje em dia, a salvação da Roma.

O desenrolar da partida foi, senão emocionante, empolgante. Mas terminou mesmo 2 x 2, um empate com gosto de vitória romanista, o David que quase derruba o Golias.

Mas a agonia continua...


È Detto!!!

O Ronaldo da Vez

Nem brasileiro, nem argentino, o homem do momento do futebol mundial é um português da Ilha da Madeira, terra do grande Heriberto Hélder... seu nome? Creio que há coisas que, por serem de conhecimento público, não necessitam ser ditas (e creio que eu digo quase todas, com minha fala de prolixidade), mas o que importa é que os lusitanos tem o maior e, quem sabe, o mais marrento dos jogadores da atualidade, Cristano Ronaldo.

Podem os nacionalistas de plantão virem com um discurso pró-Kaká, dizendo que Cristiano Ronaldo ganhou o título da Fifa deste ano pelo fato de que Kaká passou boa parte do ano lesionado, isso tem seu fundo de verdade. Kaká é, táticamente, mas capaz que Ronaldo, porém, Ronaldo é dono de um dos maiores arsenais técnicos visto na história do futebol, não que o brasileiro não tenha uma imensa técnica, mas na atualidade Cristiano Ronaldo só perde para um outro Ronaldo, o Assis, o Gaúcho, desde que fique novamente em forma.

Lionel Messi, ótimo jogador, objetivo, arisco, enfim... craque! Mas quem vê o argentino atuar sente que falta algo que possamos ver e, logo após, afirmar: este é o melhor do mundo! Cristiano Ronaldo nos faz lembrar disso o tempo todo, mostra-se um jogador completo, que joga no meio, nas duas pontas e, se preciso, como atacante de área.

Assim como alguns grandes jogadores da história, o português é acusado de amarelar nas partidas decisivas (como na final da Champions League, onde, apesar de ter marcado o gol do Manchester, perdeu um Penalty). Mas quantas vezes Kaká foi chamado de "amarelão" pela torcida do São Paulo? Quantos craques não perderam penais em partidas decisivas? Adianto que não suporto Cristiano Ronaldo como ser humano, ele é um marrento odiável, não é um Romário que se dizia um predestinado por Deus da maneira mais prepotente, mas que não conseguíamos odiá-lo. Portanto, não entendam o que escrevo aqui como uma defesa em relação a um jogador que eu tenha simpatia, mas a verdade é que o rapaz é um craque e um projeto de gênio.

Quem pode tirar Cristiano Ronaldo do seu trono? Messi e Kaká têm, nos próximos anos, grandes possibilidades de revesar o trono de melhor do mundo. Como a Fifa geralmente dá o título de melhor jogador do mundo para os que ganham grandes títulos, os três grandes jogadores da atualidade dependerão também do desempenho de seus clubes para se consagrarem como o melhor do planeta, porém, vejo no brasileiro Alexandre Pato o futuro número 1 do mundo e não tenho medo de queimar a minha língua!

E quanto a Robinho? Será um eterno "quase craque" e , definitivamente, não tenho medo de queimar minha língua!

Parabéns, Cristiano Ronaldo! Parabéns, Portugal! O mundo curva-se diante do melhor jogador do mundo. Mas que seja por pouco tempo!


È Detto!!!

sábado, 10 de janeiro de 2009

Um Bando de Louco?

Por: João Paulo Pontes

Ronaldo no Corinthians! Frase (ou notícia) que é repetida de forma exaustiva neste início de temporada pela imprensa brasileira (que finge, talvez por nacionalismo, ter repercussão mundial). Quantas vezes você, pobre mortal não-jornalista, ouviu, oriundo dos programas esportivos ou não, esta notícia ou coisas relacionadas a ela?

Confesso, vejo o assunto Ronaldo-Corinthians como algo saturadíssimo, mas como um bom pseudo-jornalista-filósofo, meditei acerca do tema, acerca da instituição e acerca do atleta. Um questionamento não me deixa dormir em paz nessas quentes noites de Janeiro: quem vai realmente ganhar com a vinda do Fenômeno para o Timão? Ronaldo, o Corinthians ou a imprensa?

Heráclito dizia que nós não podemos nunca entrar no mesmo rio, pois como as águas, nós mesmos já somos outros, creio que ele diria o mesmo de um jogador entrando em campo, ou pior, saíndo de uma mesa de cirurgia... depois dos trinta! Um atleta de alto nível, como Ronaldo, é uma prova das afirmações de Heráclito. Sua velocidade não é mais a mesma, sua agilidade não é mais a mesma, seu preparo físico, então... com certeza não se compara com o menino que entrou no "rio da fama" e encantou o mundo. É verdade que o corpo humano adapta-se às alterações que sofre, mas nunca volta a ser o mesmo, assim como o homem, assim como o rio.

Assim como Ronaldo, o "rio da fama" no qual ele se banhou durante mais de uma década não é mais o mesmo, para o mundo do futebol, o Fenômeno não é mais necessário, já foi suprassumido por dois homônimos, um gaúcho e outro português, o estoque de reviravoltas em sua carreira já encerrou-se com a conquista da copa de 2002 e os escândalos envolvendo ele com mulheres e travestis alimentaram a imprensa de uma forma tão satisfatória que, ao se esfriar a notícia de sua contratação pelo Corinthians, cada vez menos seu nome estará nos noticiários, gerando menos receita, consequentemente.

Ainda assim, em termos de publicidade, o Corinthians fez um "gol de placa", o patrocinador que quiser, nesse começo de ano, ter sua marca exibida exaustivamente em todos os telejornais, precisará apenas colocá-la no uniforme da equipe. mas voltemos aos aspectos de dentro de campo.

Há dois anos publiquei um artigo referente á morte do craque húngaro Puskas, lembro-me de ter citado Ronaldo, na época iniciando sua curta passagem pelo Milan, que estava visivelmente fora de forma e aconselhei o brasileiro a seguir o exemplo do finado húngaro que perdeu peso e foi diversas vezes campeão pelo Real Madrid. Mas Ronaldo não seguiu meu conselho, preferiu Cervejas e "Travecos".

Pode parecer que tenho algo contra Ronaldo, talvez eu tenha uma mágoa por ele não ter lido meu blog e não seguido meus conselhos (ou pior, ter lido e mesmo assim não ter seguido-os). A verdade é que a sua recuperação física e técnica é algo que todos aqueles envolvidos no futebol desejam, por se tratar de um gênio da bola.

Se existe um grito que me comove é o daqueles que possuem menos chances do que os adversários, é o grito dos que tem garra para reverter uma adversidade. Utilizarei um para servir como mantra para a recuperação do Fenômeno, que algumas torcidas sul-americanas esbravejam ao ver suas equipes enfrentarem gigantes: "Si, se puede! Si, se puede!"

E pra que não venham dizer que Heráclito está contra Ronaldo, ele mesmo se defende quando diz:

"No círculo se confundem o princípio e o fim"


È Detto!!!

Feliz 2009/Voltando de Férias


Olá, Visitantes!

Retornando de férias, o Bola Pensante deseja, de forma absolutamente atrasada, um feliz 2009 para todos vocês que nos acompanham (e somente para vocês que nos acompanham)!

É verdade que 2008 foi um ano cheio de bizarrices e surpresas no futebol, esperamos ter o que falar neste ano que chega!

Que 2009 nos traga boas novas!
Um grande abraço!

È Detto!!!

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Para que não seja a LibertaDORES!!!

Por: João Paulo Pontes

Taça Libertadores da América, o sonho de qualquer equipe da América do Sul, certo? Se bem aproveitado, o momento de disputa continental pode render muita visibilidade, enfim, lucros. Sim, "descobriu a América (do Sul)", podem falar aqueles que, assim como eu, gostam de colocar defeito em tudo e em todos. Quero chamar a atenção para uma questão: nos últimos dez anos, cinco equipes brasileiras que participaram do principal torneio das Américas estão, hoje em dia, espalhados pelas séries B, C e, no caso do Paulista de Jundiaí, na série D do Brasil. Aí vem a pergunta que é completamente pertinente (é, eu quase sempre termino minhas introduções com perguntas, coisas de filósofo frustrado): O que o Sport Club do Recife deve fazer para não entrar nesta estatística cruel e impedir a satisfação plena de Tricolores e Alvi-rubros?

"Futebol é planejamento!" Quem nunca ouviu essa frase? Eu vos digo: nada é apenas algo! O planejamento é importante neste momento porém, se, por exemplo, o Sport, no momento em que venceu a Copa do Brasil, voltasse suas ações apenas para o planejamento de 2009, visto que estaria com um ano de grandes receitas garantidas, provávelmente estaria na segunda divisão, e todo o planejamento estaria comprometido. Planejamento é relativo, pois deve ser baseado, inicialmente, no presente e este altera-se o tempo todo.

O Atlético Paranaense fez um gradioso planejamento quando foi a Libertadores após seu título brasileiro, acabou chegando ao vice-campeonato em 2005, perdendo o título para o São Paulo, numa consequencia daquilo que tinha sido planejado em 2000, mas três anos depois estava disputando a sobrevivencia na primeira divisão. Não adianta planejar sem ter poder presente de manobra.

Um goleiro, dois laterais, um volante, um meia e dois atacantes. Todos de alto nível. Isso é o que eu chamo de ação imediata. O Náutico, diante das recentes contratações, me parece com um platel mais bem preparado para disputar a Libertadores do que o próprio Sport. O Homem de referência, de área, que os rubro-negros desejam há tempos, está nos Aflitos, Somália é a contratação dos times pernambucanos que mais me chamou a atenção nos últimos dias. Paulo Baier é um nome de peso, o artilheiro dos pontos corridos, um jogador versátil, de primeira linha, mas não é mais do que a obrigação do Sport trazer um jogador dessa qualidade para a Ilha do Retiro, pois ele é que disputará o maior torneio das Américas e precisa investir de forma pesada em contratações.

O Sport pode ser campeão da Libertadores? Não! Esse é o pensamento que deve se alojar na mente dos torcedores, se por acaso eu queimar minha língua ficarei feliz como poucos, mas a verdade é que uma desclassificação (de forma precoce ou não) de forma alguma seria desmérito por parte do Leão da Ilha, seria normal e não poderia (e não poderá) alterar qualquer tipo de planejamento que, repito, deverá ser de médio a longo prazo, se o Sport não quiser acabar como os exemplos citados no início do artigo, equipes que chegaram a disputar o torneio (no caso do São Caetano, foi derrotado na final contra o Olimpia do Paraguai) e que hoje em dia amargam divisões inferiores no Brasil.

Como o futebol é uma mistura de arte, ciência e crença, que o tripé fundamental do futebol esteja convosco, esquadrão encarnado e preto!

Competência e sorte!


È Detto!!!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

A Crise Mundial e o Mercado da Bola

Por: João Paulo Pontes

Famigerada! Esse é, para mim, o melhor adjetivo para a tal crise financeira mundial, em todos os noticiários ela está presente, em todas as rodas de conversa, enfim, ela já faz parte de nosso cotidiano, transformndo paradigmas e prognósticos. Especulações do mundo "sério" à parte, quais serão as consequências dessa crise no mundo do futebol, nas equipes brasileiras e, principalmente, para as comissões organizadoras das próximas Copas?

Na Europa, Cristiano Ronaldo, Kaká, Ibrahimovic, enfim, os principais jogadores do atual panorma mundial, dificilmente serão negociados, salvo algum descontrole financeiro de algum dos clubes proprietários de seus respectivos direitos federativos que os obriguem a se desfazer por um valor bem menor que o de mercado de seus principais jogadores. A verdade é que as abordagens milhonárias serão cada vez mais raras, pelo menos a curto prazo.

Com o consumidor comprando menos, as empresas investem menos em publicidade, os clubes receberão menos dinheiro oriundo de patrocinadores, consequentemente as folhas salariais serão controladas com um pouco mais de dificuldade e os recursos para contratações ficarão mais escassos.

O efeito colateral dessa crise pode ser benéfico para o equilíbrio do futebol. Alguns grandes clubes, na intenção de contratar algum jogador de renome ou mesmo para não ficar no vermelho, terão que se desfazer de atletas considerados de rotação dentro do plantel. Esses deverão ser contratados pelos clubes de médio porte que, por sua vez, também irão vender ou dispensar seus jogadores tidos como reservas que irão, consequentemente, para equipes menores. O maior aproveitamento dos jogadores oriundo das bases dos clubes também será notório.

Como em toda crise há quem perde e quem ganhe, se algum bilhonário estiver ganhando rios de dinheiro com esta crise e quiser dar uma de "mecenas do esporte", a oportunidade é única. Com a deflação mundial, cem milhões de Euros conseguem trazer mais jogadores do que em outras épocas. Comprar uma equipe mediana, investir sua grana em jogadores e proporcionando a ascenção de uma nova potência européia.

Meu espírito de torcedor clama por um desses mecenas no meu querido Nottingham Forest, ou que alguém pague as dívidas da Roma, enfim, pensarei seriamente em apagar esse parágrafo.

Quanto às próximas Copas do Mundo, isso sim me preocupa. Com os investidores não aparecedo com tanta facilidade como em outras épocas, construir estádios mais modernos, adaptar a infra-estrutura das sub-sedes, contratar profissionais para fazer o evento ser viável, enfim, tudo aquilo à organização de um grande evento esportivo, será feito com muita dificuldade e incerteza.

Mas qual seria a saída? Não me refiro à saída da crise, se eu soubesse , não estaria de frente ao computador escrevendo esse artigo, e sim, vendendo o antídoto para o mais novo veneno que o capitalismo injetou em si mesmo, ou seja, ganhando muito, muito dinheiro. O suficiente para construir uma arena em Recife, fazê-la casa do querido América e contratar os principais jogadores do Brasil para fazê-lo campeão da Libertadores e, logo após, Mundial.

Enfim, prolixidade não é mesmo o meu forte, voltemos ao assunto principal.

Melhor, paremos de falar de economia, crise ou inconsistências mundiais...

Para o bem da bola.


È Detto!!!

Like a Virgin!

Por: João Paulo Pontes


São Paulo, Campeão! Frase que, se fosse proferida no início do campeonato brasileiro, não soaria absurda. O contrário se daria se esta afirmação fosse dada no meio da disputa, quando o tricolor paulista estava a anos-luz do, até então líder, Grêmio.

Serei sincero, antes do início do brasileirão eu apostava minhas fichas (metafísicas) em duas equipes: o Palmeiras, de Luxemburgo e o Flamengo, de Caio Júnior.
Sim, fui tido como um opinador comum, no máximo criticado por alguns que explicitavam o São Paulo como favorito. Meu contra-argumento baseava-se em dizer que a equipe de Muricy Ramalho não tinha mais alma, estava sem brilho, enfim, não podia mais chama-la de equipe.

Sem dúvidas, isso era a mais pura realidade, as principais peças da equipe já não atuavam como no ano anterior, a opção de trazer um atleta de como Adriano e jogar em função dele alterou a forma de jogar do São Paulo, que se desfez daquilo que o havia levado ao sucesso: o jogo coletivo. Com a saída de Adriano, a equipe de Muricy ficou como um cachorro sem dono, sem referência. Era preciso reestruturar o plantel, sua forma de jogar e, nesse caso, o mais importante, os espíritos de cada um dos jogador que ainda estavam se recuperando do grande golpe que foi perder, de forma tão precoce, a chance de ser novamente campeão das américas e, consequentemente, perder a possibilidade de ser tetra no mundial.

Com todo o respeito, mas se o treinador da equipe fosse um Oswaldo de Oliveira, Levir Culpi, Celso Roth, Geninho ou qualquer um desses treinadores medianos do nosso futebol, o São Paulo sequer estaria classificado para a Copa Sul-Americana.

A questão é que a equipe do Morumbi tem um profissional de ponta em seu comando. Muricy Ramalho é, sem dúvida, o maior responsável pela recuperação tricolor. Soube estimular o grupo, usou e abusou das advertências, sejam elas individuais ou coletivas. Soube também reorganizar taticamente sua equipe, soube indicar os jogadores certos para as posições carentes e, acima de tudo, assumiu o risco de fracassar num clube onde sempre foi vitorioso, coisas que poucos treinadores fazem.

Mas voltando à instancia dos palpites, dei o meu, num bolão entre amigos, quando o São Paulo estava a onze pontos do líder (na época, o Grêmio). Fui taxado de louco. A verdade era que, do jeito que o tricolor jogava, em pouco tempo brigaria pela ponta da tabela, via-se novamente uma equipe com alma, com vontade e jogando de forma coletiva, sem estrelas.
É claro que há um desmérito por parte de Grêmio, Palmeiras, Flamengo e Cruzeiro, que perderam pontos fáceis e deram chances aos comandados de Muricy, mas numa disputa longa como esta não basta acertar muito, vence também quem erra menos e o São Paulo errou mais do que em 2007, mas o suficiente para ser campeão. Agradecimentos dirigidos para Celso Roth não seriam injustos, visto a incompetência de se perder um campeonato tão ganho quanto este.

Nem mesmo o pseudo-escândalo dos ingressos do show de Madonna ofuscaria, caso fosse realmente obra da diretoria sãopaulina, o brilho da virada tricolor em 2008.
Podemos dizer, enfim, que pela dificuldade que teve para ganhar este título, o torcedor do São Paulo sentiu um gosto especial, não igual a uma primeira vez, a um desbravamento, digamos que, desta vez, foi mais trabalhoso e, consequentemente, gostoso despir e conquistar esta tão desejada taça nacional.

A Madonna que me perdoe, mas o melhor show do Brasil em 2008 foi o do São Paulo.



È Detto!!!

sábado, 6 de dezembro de 2008

Apologia de Dunga (Out/2008)

Olá, visitantes!
Este será o meu último artigo antigo e a partir de agora só publicarei textos inéditos! Esta foi uma singela defesa ao atual treinador da Seleção Brasileira, o capitão Dunga!


Apologia de Dunga
Por: João Paulo Pontes
Cidadãos brasileiros, vós que, incessantemente, pregais em favor de retirar-me da posição que atualmente ocupo, o de treinador da seleção brasileira de futebol, deveis escutar o que eu, Dunga, filho de Edelceu Verri, vos digo em minha defesa.

Vós acusais-me, em primeiro lugar, de não ter a devida experiência que legitimaria a escolha da minha pessoa para um cargo tão importante. Respondo-lhes usando o exemplo de outra equipe que também foi campeã mundial por mais de uma oportunidade que também escolheu um treinador sem experiência para assumir o mesmo cargo que ocupo: Jürgen Klinsmann, filho de Siegfried Klinsmann.

O povo alemão também o acusou daquilo que vós, povo brasileiro, me acusais. Impôs-lhe as mesmas pressões que vós me impuserdes. Ao fim do seu trabalho, viu-se que ele desempenhara sua função de forma, senão primorosa, satisfatória.

Não vos digo que repetirei, ou mesmo superarei os feitos do exemplo que acabo de citar. Apenas que, se o problema para vós é a falta de experiência em relação ao devido cargo, o trabalho feito na seleção alemã põe abaixo todo e qualquer argumento que parta apenas desta premissa.

Brasileiros, vós me acusais também de ter o defeito da incompetência. Vos digo: não há aquele que tenha passado pelo meu cargo que não ouvira, oriundo de vós, alcunhas sinônimas à asno. Retruco, assumindo minhas falhas, mas não cedendo às pressões internas e externas. Há os que julgam meu trabalho realizado até aqui como insuficientemente bom, a estes vos digo: fui campeão continental com uma equipe de reservas em cima da, talvez, melhor equipe do mundo atualmente. Podem creditar à sorte esse feito e alegarem que fui derrotado nas olimpíadas, mas aquele que mais está interessado pelo meu cargo, quando teve a sua chance, não conseguiu sequer chegar à semifinal olímpica com uma equipe infinitamente superior à minha e, na altura em que estamos nas eliminatórias, estava numa posição inferior àquela que estamos atualmente.

A falta de uma atitude em termos da renovação de meu grupo também vos é citada aos quatro ventos, cidadãos brasileiros. Defendo-me usando outro exemplo, desta vez brasileiro: Émerson Leão.

Lembrais-vos da época em que o ex-goleiro esteve em meu cargo, e, ao tentar renovar o seu grupo, foi execrado e afastado do lugar que ocupara por alguns maus resultados. É interessante lembrais-vos que aqueles que tinham sido chamados por ele, foram campeões mundiais na Copa do Mundo seguinte e foram titulares no último torneio.

Para todos aqueles que julgam ainda como ruim o resultado do meu trabalho, peço-lhes que o comparem com o de alguns de meus antecessores. Mas se ainda assim meu afastamento for inevitável, se fizerdes isso, terei de vós o que é justo, eu e meus filhos (principalmente minha filha, que me fez esta camisa ridícula).

Mas já é hora de irmos: eu para a rua e vós para o viverdes. Mas, quem vai para a melhor sorte, isso é segredo. Exceto para Deus.


È Detto!!!

(Baseado no diálogo Apologia de Sócrates, de Platão.)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Receitas ou Títulos? (Mar/2007)



Olá visitantes!

Essa foi uma breve análise acerca de um Real Madri que só fazia gastar dinheiro e não ganhava nada! Hoje em dia as coisas não mudaram muito, mas melhorou um pouco, não podemos negar!




Receitas ou Títulos?

Por: João Paulo Pontes



No último ano, o Real Madri foi a equipe que mais ganhou dinheiro no mundo, mesmo com o jejum de quatro anos sem títulos importantes e sendo um dos clubes que mais investe na contratação de jogadores. Esse é o resultado da filosofia imposta pelo então presidente Florentino Pérez: a de fazer do Real uma verdadeira galáxia, para render dinheiro e, se possível, títulos.

Essa forma de administrar um clube é bem sucedida quando é feito o investimento nas categorias de base permite a perpetuação do lucro formando-se craques em casa e, principalmente para os torcedores, quando os títulos vêm. O investimento nas categorias de base do Real Madri são inegáveis, porém não há a valorização por parte da diretoria na inclusão destes atletas na equipe principal, visto que a prioridade é contratar jogadores já prontos, com renome internacional e que atraia mais patrocinadores... Guti, Raúl e Casillas são exceções e o próprio Guti só veio se firmar como figura constante entre os titulares beirando os 30 anos e apenas com a saída de Zidane.

Mas e os títulos? Grandes jogadores não deveriam montar grandes equipes? Quando contratados para as posições certas, provavelmente! O qua acontece no Real em sua política de contratações é que os jogadores não chegam para as posições carentes, e sim para o marketing do clube. A chegada de Beckham soi um exemplo disso, pois o Real já contava com Figo para a posição e Beckham foi improvisado como segundo volante, enquanto na época o real tinha sérios problemas na lateral-direita, na zaga e precisava de um bom volante. Essa sobreposição aconteceu também entre os atacantes quando chegaram, num só ano, Júlio Baptista (que se destacou no Sevilla como atacante),Cassano e Robinho quando já se tinha Ronaldo, Raúl, Morientes e Owen, os dois últimos acabaram sendo negociados e os contratados não corresponderam.

Com a saída de Pérez na presidência e, após um tempo, a chegada de Capello para o comando técnico essa filosofia de trabalho se alterou um pouco, ao invés de jogadores badalados, foram contratados jovens jogadores, como Gago e Higuaín e Reyes, e jogadores experiêntes para as posições certas, como Canavarro e Emerson. A equipe não vence, isso é verdade, mas as saídas de Ronaldo e Beckham demonstram que a filosofia de trabalho está mudando aos poucos, considero Beckham um ótimo jogador de ponta, cruza muito bem a bola, bate precisamente faltas, porém nunca foi um jogador para definir partidas. Ronaldo, sim, porém não existia mais clima entre ele e a torcida merengue e, para piorar, Ronaldo não via mais desafios no futebol espanhol e seu peso é consequência disso. No futebol italiano ele terá um desafio: apagar a má impressão deixada em sua passagem pela Inter e "queimar a língua" de Fabio Capello.

Mas, se atendo mais na política de administração do Real, essa filosofia de trabalho atende às necessidades de curto e médio prazo, porém, o risco de, com a ausência de títulos ao longo dos anos, a torcida diminuir e a atenção mundial também deve alertar os administradores, pois um prejuízo à longo prazo pode comprometer todo o futuro do clube mais famoso do mundo.

Quanto ao Brasil, estamos tão atrasados que nem esses problemas temos.



È Detto!!!

Ele Voltou? (Mar/2007)

Olá, Visitantes!

2007 foi o ano do ressurgimento de uma grande promessa: Diego, ex-Santos! Rejeitado pelo Porto (o que não é de Caruaru), foi vendido ao Werder Bremen, se adaptou ao futebol local e logo se tornou o principal jogador do time. Achei por bem fazer meu comentário em forma de artigo acerca do meu sentimento em relação a isso.

Ele Voltou?

Por: João Paulo Pontes

Quando apareceu para o futebol, no Santos, Diego foi considerado um craque precoce ao lado de Robinho, mas sua ida para o futebol europeu não foi tão bem sucedida assim no Porto de onde arrumou problemas, deixou seu rendimento dentro de campo cair, foi afastado do grupo e logo negociado com o Werder Bremen. Porém a ida para a Alemanha parece estar fazendo muito bem a ele. Estará de volta o Diego que encantou o Brasil?


Nesse começo de temporada o rendimento que Diego tem demonstrado, é mais que surpreendente, é magnificamente incomum, principalmente tratando-se de um atleta saído de Portugal, onde o estilo de jogo é bem mais solto do que o estilo alemão e, acima de tudo, isso tendo em vista o futebol que ele vinha apresentando no Porto, lerdo e ineficaz. Mas quais são os fatores preponderantes nesse desempenho do brasileiro?


O primeiro e, para mim, prepoderante é o fator ambiente de trabalho. Ao chegar no Porto, Diego era considerado o substituto natural de Deco, principal nome das gloriosas campanhas que renderam ao clube dois campeonatos nacionais, uma Copa da UEFA e uma Champions League. Como já vimos no mundo do futebol, toda espectativa exagerada se tranforma em pressão exarcerbada, o que atrapalha a adaptação do atleta tanto ao estilo de jogo da equipe, quanto ao seu comportamento fora de campo.


Sinceramente, quando fiquei sabendo da contratação de Diego e Luís Fabiano por parte do Porto acreditei num bi-campeonato europeu, mesmo com a saída de Deco e outros jogadores, Diego, para mim, era muito melhor que Deco. Em contrapartida o ex-santista era muito precoce e ligado aos costumes do brasil e sua vida em Santos, onde já tinha mostrado o suficiente pra ser considerado craque e ídolo. Para piorar seu último treinador não gostava dele o que fez seu ambiente de trabalho ficar insuportável.


Sua chegada na Alemanha já foi diferente, ele foi contratado como uma estrela brasileira que ainda não havia se adaptado ao futebol europeu, consequentemente a pressão não era a de uma grande contratação e sim de um jogador contratado para compôr plantel. O resultado disso tudo é a maior motivação e, consequentemente, o bom rendimento de Diego logo na chegada ao Werder Bremen que justificou seu retorno à Seleção Brasileira.


Um outro fator é o que diz respeito ao grupo de jogadores que já estavam no clube alemão, que são, em sua maioria, jogadores de qualidade como o meia Torsten Frings, que é o maestro da equipe e dá equilíbrio e criatividade ao meio-campo do Werder Bremen, o zagueiro brasileiro Naldo que além de ser seguro na defesa auxilia o ataque com seus gols de cabeça e de falta e o artilheiro Miroslav Klose. Em suma é uma equipe equilibrada e eficiente, o que favorece a entrada de qualquer jogador, desde que este tenha qualidade.


Mas como? Logo na Alemanha? Um país frio, de estilo de jogo pouco criativo, onde a força física prevalece em detrimento ao talento? Como Diego foi se adaptar tão rápido? São perguntas difíceis de se responder, digo até impossíveis por se tratar de futebol, a arte onde as situações podem ser planejadas mas nunca previstas, onde o improvável está à espreita para aprontar mais uma peça, e que a volta de Diego seja mais uma boa peça e que ele ajude sua equipe e a Seleção Brasileira a conquistar títulos, a fazer feliz pessoas apaixonadas pelo bom futebol.



È Detto!!!

O Encanto Acabou??? (Out/2006)

Olá, Visitantes!


Depois da Copa do Mundo da Alemanha, as críticas em cima de Ronaldinho foram bem maiores do que em relação ao resto do time. Também pudera, ele tinha sido eleito o melhor do mundo com folgas e era o principal candidato a melhor jogador da Copa. Enfim, achei justo analisar e dividir minha opinião.


O Encanto Acabou?

Por: João Paulo Pontes



Desde a Copa do Mundo da Alemanha as atuações de Ronaldinho não têm sido iguais as dos três ultimos anos. O motivo muitos cogitam, mas não vejo uma explicação lógica, não que dentro da perpectiva lógica se encontre respostas para uma má ou boa atuação dos jogadores... enquanto escrevo vou refetindo acerca dos motivos para o que acontece com o (mesmo assim) melhor jogador do mundo.

Durante a Copa de 2002, Ronaldinho era atleta do PSG, cobiçado pelos maiores clubes da Europa, entre eles Manchester, Real Madri e Barcelona. O clube catalão obteve a preferência, senão financeira, sentimental da parte do atleta brasileiro, talvez por ter visto os maiores jogadores brasileiros dos ultimos tempos brilharem com a camisa do Barça. Mas voltemos à Copa do Japão e da Coréia. Existia uma pressão enrome em cima de Rivaldo, até então craque do Barcelona, pois alguns jornalistas, do alto de sua onisciência, julgavam o seu futebol na Seleção Brasileira inferior ao apresentado na equipe catalã. O resultado foi que Rivaldo foi decisivo na Copa enquanto Ronaldinho deixou à desejar (com exceção ao jogo contra a Inglaterra) mas o Brasil foi campeão e as atuações regulares de Ronaldinho não foram repercutidas depois do torneio que teve tranquilidade para trabalhar em prol de sua carreira, dessa vez no seu novo clube, o Barcelona.

Quando chegou ao Barça, Ronaldinho encontrou uma equipe em crise, tanto financeira quanto de resultados, a equipe não vencia e no ano anterior tinha ficado fora da Champions League, o que atrapalhou muito no equilíbrio financeiro e no planejamento do ano corrente. Ele chegou como um santo remédio, se destacando já nas primeiras partidas e com o tempo se firmando como o craque da equipe e o preferido dos adeptos. Depois de algum tempo Ronaldinho levara o Barcelona ao improvável vice-campeonato da Liga espanhola depois de encontrar a equipe fora da zona de classificação para as competições européias. Nascia o novo rei de Barcelona.

Nas temporadas seguintes seu rendimento aumentaria (com o perdão da redundância) mais e mais, ele seria eleito melhor jogador do mundo por duas vezes consecutivas e chegaria até à conquista da Liga espanhola e da Uefa, mas suas atuações na Seleção não eram dignas do melhor do mundo. Primeiro alegava-se que no Barcelona ele jogava de atacante e na Seleção como Meia, o então treinador Carlos Alberto Parreira decidiu que iria dar toda a liberdade para o craque, o fez dupla ora com Ronaldo, ora com Robinho e finalmente com Adriano, seu rendimento não crescia e as críticas voltavam.

Em relação à seleção eu observava que o posicionamento de Ronaldinho era completamente diferente do que ele tinha (e continua tendo) no Barcelona, visto que mesmo posicionado pelo lado esquerdo de campo ele tinha que acompanhar as subidas dos laterais, diferentemente (talvez pela falta de um treinador de visão) da sua forma de jogar no Barça, quando ele se aproveitava dessa liberdade para fintar um, dois ou até três defensores e fazer a assistência ou mesmo o gol, e por mais que o treinador Parreira desse liberdade para o jogador, a falta de compactação da equipe fazia com que Ronaldinho voltasse para recompor.

Na Copa, pela pressão pró "quadrado mágico" (termo usado pelo pseudo-gênio do entendimento futebolístico de nome Galvão Bueno), Ronaldinho foi completamente sacrificado, exercendo a função de articulador de um ataque lento e sem movimentação. Se já não bastasse a marcação que um jogador de sua habilidade receberia naturalmente, Parreira ofereceu aos adversários uma maneira mais fácil ainda de anular Ronaldinho, colocando-o mais recuado, impossibilitando as jogadas de ataque.

Como todo o brasileiro, eu tinha meu sistema de jogo e escalação para a seleção de 2006. O sistema era o 4-3-3 no estilo holandês, ou como o Barcelona joga para ficar mais fácil. A escalação seria: Rogério Ceni no gol, Cicinho e Roberto Carlos nas laterais, Lúcio e Juan na zaga, Gilberto Silva como o Volante central, Juninho Pernambucano e Zé Roberto como médios centrais, Ronaldnho e Kaká como pontas pela esquerda e direita, respectivamente e Adriano como atacante pelo centro. Modéstia à parte, com essa formatação tática Ronaldinho teria a liberdade necessária e o Brasil, provávelmente seria hexa-campeão mundial.

Mas, voltando ao futebol de Ronaldinho. Ao contrário do que aconteceu em 2002, quando ele não foi bem na copa mas o Brasil foi campeão, a Seleção Canarinho não conquistou o título e ele, a maior esperança brasileira, decepcionou, Não só pela disposição tática da equipe, mas pelo seu comportamento apático dentro de campo, e em sua volta ao Barcelona, ele tem alternado boas e más atuações, talvez pela pressão que a derrota de uma seleção com um favoritismo nunca antes visto para um mundial pode acarretar.

A explicação para a má fase no Barcelona eu vejo em uma mistura de fatores. Primeiro, a pressão pela perda do mundial e pelo seu fraco desempenho na Seleção Brasileira. Segundo, a disposição de absolutamente todos os bons treinadores do mundo em marca-lo de forma eficaz e definitiva, se necessário de forma ríspida, mesmo desguarnecendo outros setores do campo. Terceiro, a perda temporária de seu principal companheiro no ataque catalão, Samuel Eto'o, que, além de se movimentar muito e facilitar o trabalho de Ronaldinho, fazia o rodízio de posicionamento entre ataque pelo meio e a ponta-esquerda.

Essas são, pra mim, as explicações lógicas da má fase de Ronaldinho, não que exista lógica no desmpenho esportivo, existe sim espectativa diante do trabalho realizado de forma boa ou ruim, mas nada que vá garantir um título ou bons jogos, visto que do outro lado sempre existirão onze homens, talvez com salários menores, com preparação não tão adequada, com condições de trabalho ou de vida piores, mas sempre onze homens, e os homens são supreendentes em seu poder de superar seus limites e fazer o improvável.

De Ronaldinho não se espera a superação dos próprios limites, nem mesmo que ele faça o improvável, ele já supera os limites dos homens em sua normalidade e já faz o improvável de forma tão natural que chega a ser totalmente previsível. Espera-se dele a normalidade, o Ronaldinho dos bons tempos, o mágico, o craque.



È Detto!!!